Ansiolíticos na mira da psicologia


Lucas Gandia

O fim dos ansiolíticos pode estar próximo. É o que propõe uma tese de doutorado defendida no Departamento de Psicologia da Unesp de Assis. A ideia é retirar dos usuários, gradualmente, medicamentos do tipo BZD (benzodiazepinas), como Diazepam e Rivotril, sem cair na estratégia mais comum: substituí-los por outros ansiolíticos.

O objetivo de Ionara Vieira Moura Rabelo, autora do estudo, é propor formas alternativas de tratamento à ansiedade, que não usem os medicamentos e valorizem o acompanhamento humano dos pacientes. O estudo foi realizado nas cidades de Assis (SP) e Goiânia (GO).

A pesquisadora acredita que a informação é o primeiro passo no combate ao uso excessivo de medicamentos, já que foi considerado surpreendente o número de pessoas que interrompeu o uso do ansiolítico apenas com as instruções sobre a medicação, seja por meio da carta informativa ou das orientações recebidas pelas equipes. “Esse fato reforçou um dos princípios básicos da saúde coletiva, que é o de modificar processos de adoecimento por meio da oferta de informações para a comunidade”, pondera.


Ionara reforça que os resultados da sua tese não se limitam aos ansiolíticos. “A pesquisa abre a proposta de desmedicalização utilizando os recursos humanos já existentes na rede SUS e reforça que o vínculo entre as equipes de saúde e pacientes pode construir uma nova forma de cuidado que substitui o uso do medicamento”, conclui a pesquisadora.



                                                             Imagem: Blog COMEN Valinhos
O objetivo da pesquisa é reduzir o consumo dos ansiolíticos