Grupo
de pesquisa da UFC comprova a eficácia de plantas de uso popular na região
Bianca
Barbis
Francisco
José de Abreu, fundador do projeto Farmácias vivas
“Medicamentos eficazes
e baratos”. Ao ouvir isso, certamente a maioria das pessoas vai pensar nos
genéricos ou remédios subsidiados. Poucas delas vão se lembrar das receitas
caseiras de suas avós. Ou mesmo sabem que um bom remédio pode se encontrar no
quintal de sua casa. Não é raro que milhares de pessoa por todo o país façam
uso de plantas locais para curar certas enfermidades. E essa atividade tem um
nome: Ecomedicina.
Esse tipo de medicina é
bem mais que o uso de chás à base de plantas para curar simples doenças, ela
também é empregada para quem busca medicinas menos agressivas. A ecomedicina é
um conceito introduzido pela Rede de Ciência e Saúde Ambiental (SEHN, em
inglês), que desde 1994 sugeriu este nome para designar o caminho que associa a
medicina com saúde e meio ambiente. Envolve várias ações que assegurem a saúde
do ambiente, atividades ecológicas em unidades de saúde, medicinas alternativas
– como inclusive a homeopatia – e ampla discussão ética e lógica, sobre a
aplicação do conhecimento científico para a preservação do ambiente e da saúde
humana.
Pensando nisso, o
professor Francisco José de Abreu foi pioneiro no Brasil e criou o Projeto
Farmácias-Vivas em 1984 tendo como base o Horto de Plantas Medicinais da Universidade Federal do Ceará (UFC).
O programa,
administrado pela UFC, oferece assistência farmacêutica fitoterápica de base
científica às entidades públicas e privadas, às ONGs, e às comunidades
interessadas no emprego terapêutico de plantas da região sem fins lucrativos.
Ela promove a instrução da comunidade sobre as particularidades, o cultivo
correto e os fins medicinais de centenas de plantas regionais. Além disso,
distribui medicamentos fabricados a partir dessas espécies.
Um dos estímulos para
este planejamento foi o fato de que a planta medicinal, fresca ou seca, é mais
frequentemente utilizada por pessoas que formam a parte menos abastada da
população nordestina, embora ainda não existam informações científicas suficientes
para permitir o uso correto dessas plantas. O Projeto Farmácias Vivas se
expandiu como modelo para todo o Ceará e hoje é referência para todos os
projetos semelhantes espalhados pelo Brasil.
O professor da
Universidade Federal de Juiz de Fora e Coordenador do Projeto Farmácias-Vivas UFJF,
João Batista Picinini Teixeira, ressalta a importância da origem do Farmácias
Vivas. “Esse projeto parte do costume do brasileiro de ter uma horta no quintal
com remédios caseiros. No Farmácias Vivas existe uma horta com plantas
medicinais com propriedades já comprovadas cientificamente. Abreu Matos há 23
anos foi vanguardista”.
Fortaleza chegou a ter
mais de 30 Farmácias Vivas, mas enfrenta dificuldades desde a morte do seu
fundador, em 2008. O legado de pesquisas e descobertas deixado pelo farmacêutico
corre o risco de se perder. O acervo de Abreu Matos, espaço onde também
funciona o horto matriz do projeto, sobrevive hoje de doações.
Confira a palestra no
TEDxSP da engenheira agrônoma Francisca Simões Cavalcanti, fundadora do Horto
de Plantas Medicinais da UFC, sobre o projeto Farmácias Vivas.




