O som da sustentabilidade


Projeto acadêmico produz instrumento musical popular de maneira sustentável
Ana Laura Mosquera


Substituir instrumentos musicais tradicionais por aqueles produzidos de forma sustentável é um jeito inovador e ainda muito diferente de enxergar a sustentabilidade. O aumento do número de iniciativas e projetos na área comprova uma evolução no crescimento da demanda. Sobretudo da demanda de cuidado com o planeta.
O projeto “Transferência de tecnologia da madeira para a prática artesanal da fabricação do violão”, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queirós da USP, a Esalq, deu início às pesquisas na produção de um violão sustentável em 2005. O projeto, coordenado pelo professor do Departamento de Ciências Florestais do campus de Piracicaba, José Nivaldo Garcia, pretende fabricar violões de maneira didática e a um custo acessível, a partir de madeiras plantadas ou nativas de ciclo sustentável.
A meta é popularizar a produção de um instrumento já popular no seu uso. “A música é um meio que está na vida de todo mundo, em maior ou em menor grau. E o violão é um dos instrumentos mais populares do Brasil ainda hoje”, como conta Caio de Oliveira Loconte, um dos idealizadores do projeto e aluno do curso de Engenharia Florestal da universidade.
O primeiro violão produzido pelo projeto teve custo de menos de 70 reais e foi construído a partir de madeiras plantadas ou nativas de ciclo sustentável. Uma das árvores utilizadas como matéria-prima é o eucalipto. “O projeto do violão de eucalipto surgiu porque a Ciência Florestal na Esalq é muito voltada pra madeira plantada. Então seria um jeito de aplicar a tecnologia que a gente tem”, completa Loconte.

Para os primeiros acordes
Uma das grandes barreiras para a difusão dos instrumentos feitos a partir desses materiais, entretanto, está na qualidade do som. No caso do violão, usualmente fabricado a partir de madeiras nobres, como o jacarandá, o mogno e o pinho europeu, a questão é bastante complicada. “A qualidade do som fica bem afetada. A gente não quantificou isso, porque não diz respeito à área de Engenharia Florestal, mas de ouvido a gente percebe que é um som mais abafado”, afirma o estudante que também toca o instrumento.
Por outro lado, o impacto ambiental diminui consideravelmente com a utilização dessas matérias-primas. “Usar o eucalipto é bem interessante porque, além de ser uma madeira barata, o violão para principiante, em larga escala, é muito viável produzir. E a gente diminui a pressão sobre madeiras mais nobres, que acabam tornando o instrumento mais caro e a exploração florestal dessas madeiras é bem degradante”, conclui Caio.