O meio acadêmico também é social


por Julia Matravolgyi

Estudo e Redes Sociais: é comum pensar que um atrapalha o outro, ajudando os estudantes a “deixar tudo para depois”. Quem nunca deu “só uma passadinha” no Twitter antes de estudar que atire a primeira pedra. Mas, ao contrário do quemuita gente pensa, nem sempre usar a web no lugar do estudo é prejudicial: existem redes criadas unicamente com o intuito de facilitar o aprendizado e aproximar os alunos.       
Quem viu o número de usuários do Facebook no país crescer 268% ao ano provavelmente não imagina que o entretenimento não é o único capaz de acumular participantes (e gerar lucro). De forma surpreendente, no meio acadêmico as redes sociais se tornaram uma ferramenta lucrativa e funcional.
No mercado nacional, Renato Freitas, criador do Ebah é um exemplo disso: somente em 2010 ele faturou mais de meio milhão de reais com o site, que tem mais de 3 mil cadastros todos os dias. A ideia surgiu em 2006, quando Renato, na época estudante de engenharia, percebeu que ele e os colegas gastavam muito dinheiro tirando copias do material de estudo.
No ano seguinte - devido ao sucesso - o site tornou-se uma rede social (antes, era usado apenas por alunos da Universidade de São Paulo), na qual além de compartilhar material de estudo, o usuário também pode ter um perfil, separar o conteúdo por curso e participar de comunidades das áreas em que estuda. No fim de 2007, a rede já acumulava mais de 20 mil usuários.
“Acredito que o crescimento da rede está ligado as suas próprias características: os materiais de estudo compartilhados são de grande interesse para os universitários, estão bem organizados, e todo o conteúdo dos arquivos são fáceis de serem encontrados”, garante Freitas em entrevista ao blog Results On. O Ebah é hoje um dos principais exemplos de uso das redes sociais totalmente voltado para o estudo.

Como funciona a manutenção desses sites?
Assim como nas redes sociais dedicadas ao entretenimento, as que se dedicam ao meio acadêmico também dependem da publicidade quando pretendem lucrar. Isso é possível pois “as redes se destacam como ferramentas fundamentais para ações eficazes de marketing, pois o público (especialmente as novas gerações) está cada dia mais se conectando e buscando opções de compartilhamento”, garante Bruna Salto, que coordena parte da produção de revistas digitais na Editora Alto Astral, em Bauru, São Paulo.
Dessa maneira, o espaço publicitário nas redes sociais se torna cada vez mais valorizado, e o lucro gerado permite que elas se desenvolvam e se aperfeiçoem. Renato completa, sobre a experiência do EbaH: “Desde o começo percebi que nosso modelo de negócios estaria baseado em publicidade, aproveitando o espaço no mercado, já que existem poucos canais de comunicação online exclusivamente para universitários”.