Projeto traz qualidade de vida a deficientes
auditivos de forma econômica e sustentável
Ana Lis Soares
Uma semana
depois de perder a filha, Howard Weinstein, um canadense formado em
Administração de Negócios, nos Estados Unidos, foi demitido do emprego com a
justificativa de “incapacidade emocional” para administrar os negócios.
Após o choque, Weinstein
decidiu trabalhar como voluntário em um projeto em Camp Hill , uma
comunidade carente em Botsuana, África.
Depois de quatro anos no local, fundou a
companhia Godisa Technologies, que se dedicava a treinar deficientes
auditivos e mentais para o mercado de trabalho.
Com a equipe
treinada, a Godisa produziu três novos produtos: um aparelho auditivo
analógico, baterias recarregáveis e um carregador de baterias (para o aparelho).
Uma peculiaridade a ser destacada na empresa de Howard é a preocupação também
com o meio ambiente: os produtos são recarregáveis à luz
solar.
Projeto social e sustentabilidade - parceria
já existe no Brasil
Reconhecido
por profissionais de todo o mundo, Howard Weinstein foi convidado por duas
professoras de Fonoaudiologia da Universidade de São Paulo (USP) para dar uma
palestra. “Entusiasmadas, me convidaram a implantar o projeto em São Paulo,
onde alcançaríamos toda a América Latina”, relembra. Weinstein se mudou para o
país trazendo, assim, o Projeto Aurora
(Solar Ear).
Com o apoio da
Fundação CEFAC, de ONGs e do
Departamento de Tecnologia da USP, o Aurora treina deficientes e os emprega
para a produção dos aparelhos, baterias e carregadores.
Aparelhos auditivos digitais
A diferença é
que, com a ajuda da USP, os aparelhos do Projeto Aurora são digitais. “Um
avanço, pois é mais eficiente e confortável, além de ser programável para cada
deficiente, considerando o grau da deficiência, medido em decibéis, e a
configuração, que são as freqüências de sons capitadas, medidas em Hertz”, diz
Howard.
Projeto
essencial em um país que tem mais de 5
milhões de deficientes auditivos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde
(OMS). Além disso, a tecnologia produzida pelo projeto é cerca de 80% mais
barata.
Menos bateria
para o meio ambiente
O administrador
revela que as baterias produzidas pelo projeto são econômicas e sustentáveis,
já que custam cerca de quatro reais e duram, em média, três anos. “As normais
duram uma semana, com o mesmo preço. Assim, usando as recarregáveis à luz
solar, evitamos jogar no meio ambiente nada menos que 300 milhões de baterias
por ano”.
Aparelho digital recarregável à luz solar: 300
milhões de baterias a menos no ambiente



